15 Fevereiro, 2008

Cartas à inutilidade dos amores


Aquele era o tempo em que as próprias sombras falavam.
Optava por se sentar no escuro, onde não havia mais senão trevas avassaladoras, na esperança que os vestigíos daquela presença dolorosa se esvaiassem como purpurinas ao sabor de um vento desconhecido.
Entre todas as mentiras, equívocos, traições mentais, aquilo que mais se evidenciava era a dor do silêncio...
Não resistindo a tamanha indiferença, a tal ausência, decidiu lutar por uma amor que já sabia ser um nado-morto.

“Não consigo deixar de sentir a memória dos teus caracóis entre os meus dedos, sem ti sou um corpo vencido... no meio de lágrimas alguém me disse que “o verdadeiro cadáver não é o corpo, mas aquilo que deixou de viver". E eu sou um cadáver desde que voltaste as costas ao nosso futuro... Não permitas que também a minha carne se putrifique numa cama que já não mais é nossa, que os meus olhos sequem vazios de esperança, molhados de mágoa, tomando alguma cor que já nem cor pode ser, porque só tu me podes devolver essa benção. Já não existem cafés que me mantenham longe das noites de sonhos, que pela manhã desaparecem não se revelando mais que pesadelos. Pesadelos com a forma do teu corpo sobre o meu, enquanto o teu olhar me penetra. Pesadelos em que me beijas e me sufocas retirando-me a vida num unico suspiro, em que vejo a minha alma sumir-se pelo canto da boca que fecho com a maior das forças...”


Shazadi 08






”Porque quem ama nunca sabe o que ama, nem sabe porque ama, nem o que é amar, amar é a eterna inocência, e a única inocência, não pensar...”
Fernando Pessoa

13 Fevereiro, 2008

Beauty



O esconderijo perfeito....

A travessia

Shazadi 07



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa